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“A melhor decisão que tomei”

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“Existe toda uma preocupação quando a gente vai pra um lugar novo, né? Eu, que sempre tive medo de agulhas e injeções, fui toda valente em tomar todas as vacinas incompletas da minha cartela de vacinação. Acho que essa foi a parte mais “dificil” pra mim. Fora a preparação psicológica também, pois eu estava muito ansiosa pra viajar à Moçambique.
Foi delegada uma tarefa no particular pra cada um. Além das arrecadações de roupas (que era uma tarefa de todos), tivemos que ir atrás de doações que agregassem no nosso projeto. O meu eram fones de ouvido. Eu precisava de 12 fones em mais ou menos dois meses. Fiquei pensando como que eu ia conseguir 12 fones de doações dos meus amigos e familiares e nada me veio na cabeça.

Eu faço inglês no Cel-Lep, e lá na escola temos um laboratório para aulas online com muitos, milhares de fones de ouvido, logo me veio na cabeça: será que eles me ajudam ? Mandei email pra coordenação geral do curso com o assunto “AJUDA”. No dia seguinte eles me responderam.”vamos ver o que posso fazer para te ajudar”! Nossa, essa foi a mensagem mais feliz que recebi, porque ví que eles leram meu email, e que eles iam tentar me ajudar! E assim foi, eu e Edna (coordenadora da escola) batalhamos, e ela conseguiu a doação de 40 fones de ouvido. Depois disso, postamos uma nota de agradecimento na página do projeto e ai eu recebo mais um email dela: ela conseguiu também a doação de 40 livros de inglês do nível básico.

Um grupo de 10 pessoas, num total de 10 dias no centro de acolhimento. Totalmente diferente de tudo que já tinha vivido um dia, e de tudo que imaginava viver lá. Eu estava esperando ser uma viagem difícil, daquelas que o tempo não passa. Mas muito pelo contrário… logo já era hora de ir embora e eu nem me dei conta. Lá a gente vive rodeado de amor. E a gente aprende alguma coisa nova todos os dias. Aprendi muito com jovens, crianças, adultos… sobre amor, carinho, respeito e compaixão, e principalmente sobre empatia.

O envolvimento dos jovens no projeto foi além do esperado também. Ver o interesse deles no “novo”, que a gente tinha para mostrar é um choque de realidade muito grande. O que pra gente é dia a dia, para eles é novidade. A melhor parte do projeto é que a internet não tem limites, eles vão poder ver além da tribo, além do que eles vivem, e assim, eles vão poder sonhar mais alto.

Fizemos eu, Juliana Bertassoli, Maria Antônia e Maria Paula – jovens desta caravana – uma palestra sobre sonhos, nós falamos mais do que eles. A gente mostrou um pouquinho sobre o que é sonhar, e onde eles podem chegar quando os realizam… mas infelizmente os sonhos deles são limitados. Quase todos os sonhos eram estudar e passar na faculdade. O que ia acontecer depois disso ninguém sabia. Muitas profissões nesses sonhos: polícia, enfermeiro, advogado, médico. Também conversamos sobre sexualidade, os jovens tinham muitas, MUITAS perguntas, mas tinham vergonha de perguntar.. distribuimos papel e caneta e pedimos que escrevessem. Os nomes não seriam revelados. Cada papel tinha em média umas três perguntas de cada jovem, a maioria sobre Aids, HIV e o uso da camisinha. Foi bem legal e aproximou demais a gente dos jovens de lá.

Juliana Bertalossi também nos escreveu por e-mail seu pequeno grandioso relato. “Creio muito que nossa felicidade é ainda melhor quando compartilhada. A gente vai até lá, com o coração cheio de alegria e felicidade e eles estão cheios de amor no coração pra nos dar. Acima de tudo é uma troca imensa de valores. Acredito que a gente viajar com a ideia de que temos muito a oferecer pra eles lá, mas quem realmente sai aprendendo muito mais sobre a vida somos nós! A gratidão é tão grande e os sentimentos que sentimos enquanto estamos lá são tão mágicos! A simplicidade é muito rica em si sabe?! E tive o prazer de dividir essa grande oportunidade de visitar Muzumuia com uma grande amiga que a vida me deu, a Giovanna. Tenho certeza que será algo que nenhuma de nós esquecerá, jamais!”.

Giovanna e Juliana participaram do projeto voluntário “Sonhar sem Fronteiras”, idealizado pela madrinha caravaneira Daniela Borges, onde recentemente uma sala com computadores e internet – para o ensino de educação a distância – foi implantada, no centro de acolhimento da aldeia de Muzumuia, da Fraternidade sem Fronteiras.

Fomos para para África cheios de expectativas, e voltamos cheios de realizações. Acho que foi a melhor decisão que tomei. Espero voltar o quanto antes para rever os sorrisos que me fizeram a pessoa mais feliz e realizada nesses dez dias”.

 

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