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Os laços invisíveis do amor – depoimento Lena Stehlik

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Voluntária Lena com as caixinhas ♥

Uma história cercada por laços invisíveis. É assim que Lena Stehlik classifica sua ligação com a Fraternidade sem Fronteiras (FSF) e as pessoas que a ajudam a somar nesse movimento de amor.  

A brasileira que mora na Alemanha há mais de 25 anos, conheceu a FSF durante uma palestra do Dr. Décio Iandoli em Munique/Alemanha, em 2016. Desde então, Lena é a responsável pelas caixinhas de arrecadação que se iniciou na Alemanha e hoje já alcançou os Estados Unidos. 

Um movimento que nasceu da sua ligação instantânea com essa causa de fraternidade e a conectou com muitos corações através desses laços invisíveis de afeto, amor e empatia. 

 

Entenda mais no depoimento lindo e tocante que Lena nos presenteou. 

“Em abril de 2017, recebemos a visita do Andrei Moreira, o qual veio pela primeira vez falar da Fraternidade sem Fronteiras na Alemanha. Durante os preparativos do evento me surgiu a ideia de fazer uma caixinha para doações e disponibilizá-la no local. A princípio, pensei numa caixa GRANDE com o intuito de colar alguma fotos e frases. Como não tinha em casa uma caixa adequada, liguei para um amigo alemão que tem uma firma de cartonagem, impressão e gráfica designer. Este meu amigo, Tilman Höhing, conseguiu sobreviver depois que sua cidade foi bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial, em dezembro de 1944, ficando TOTALMENTE destruída.  Me lembro que liguei para ele perguntando se teria uma caixa, de preferência GRANDE, e se possível com uma abertura no formato de cofre. Salientei que a abertura deveria ser GRANDE também. Ele me perguntou curioso “Por que uma abertura grande?“ Foi então que comecei a explicar o propósito da caixa. Falei da Fraternidade sem Fronteiras, do Wagner e seus desafios e disse que precisava de uma caixa para fins de arrecadação e que nela gostaria de colar algumas fotos da FSF. Expliquei que a abertura GRANDE seria para passar com maior facilidade as notas de 500 euros, pois estas se diferem das notas de menor valor por serem maiores e mais largas.

Ele riu muito pela afirmação das notas e me perguntou ainda: “Mas por que uma caixa GRANDE?“
Respondi: “Para que as pessoas não a percam de vista quando estiverem na sala do evento“. Eu disse ainda que colocaria uma plaquinha com os dizeres: 

DOAÇÕES AQUI!!
SÓ ACEITAMOS NOTAS DE 500 €.
NÃO SE PREOCUPEM – ABERTURA ADAPTADA.

Caixa Grande

Depois desse momento de descontração, pude perceber que ele se identificou imediatamente com a causa da FSF. Continuamos conversando e descobrimos um laço em comum: o laço da fome. Ele, que já havia passado pela fome durante a guerra e eu, que já havia passado fome na minha infância no Brasil; e agora, os nossos irmãos africanos que passam fome ainda hoje. Não fiquei surpresa quando ele me disse: JA, ICH MACHE!!!! (Sim, eu faço!!!!). Acredito que antes de trabalharmos no projeto das caixinhas, já estávamos ligados por esses laços invisíveis. Ele, eu, seu designer e meu marido começamos a trocar ideias e um dos meus pedidos foi para que a caixinha fosse alegre, bem colorida, transmitisse esperança e principalmente a vontade e alegria de viver. Assim sendo, recebi várias caixinhas GRANDES com aberturas GRANDES para notas de 500 €.  Foi quando a caixinha GRANDE ficou pronta que tomei coragem de pedir a ele as caixinhas pequenas, como vocês hoje a conhecem. Quando recebi as caixinhas prontas em minha casa, não imaginava que seriam tão lindas. Fiquei emocionada. 

Caixa Pequena

Imediatamente mandei fotos para a Vera Mattos (apoiadora da causa que mora nos EUA), pois só ela sabia desta história.  Vibramos juntas de alegria, ela repassou a ideia e acabamos traduzindo para outros idiomas. Na época, fiz um planejamento e comecei a distribuir pela minha cidade aqui na Alemanha.
Hoje, a caixinha já participou de eventos, casamentos, aniversários, festas de Natal, cafés beneficentes e para nossa alegria, a caixinha já ultrapassou fronteiras e chegou nos Estados Unidos. Este era o principal objetivo desde o início. Quando soube do sucesso das caixinhas nos EUA, liguei para meu amigo Tilman dando a notícia e ele me fez mais um relato que me emocionou muito. Ele me disse: Lena, a minha maior emoção é saber que as caixinhas conseguiram chegar até a América. E assim ele começou a relatar alguns fatos.
Em 1945, quando milhões de pessoas estavam sem alimentos, roupas e remédios após a Segunda Guerra, algumas instituições de caridade nos Estados Unidos fundaram uma organização de iniciativa assistencial privada, uma espécie de cooperativa, para fins de mandar ajuda para a Europa.
Os americanos enviavam pacotes com alimentos, que chegavam como tesouros para as famílias alemãs. Estas “cestas básicas“ que eram distribuídas pelo exército americano eram chamadas de CARE-Paket e HOOVER SpeiseTilman disse: “Eu ainda hoje vejo e sinto o gosto do conteúdo: manteiga de amendoim, leite em pó, cacau, pó de ovo que minha mãe usava para fazer omelete, uma barra de chocolate que só em horas festivas era dividida em pedacinhos para todos”Neste momento, quando ele fez este relato, pensei na Fraternidade sem Fronteiras. Lembrei-me do UBUNTU. De acordo com seu relato, no início a distribuição era muito difícil, porque os trilhos de trem já não existiam, os correios haviam sido severamente afetados, o trânsito não funcionava e salas para armazenamento não existiam. Hoje, adulto, ele sabe que foram muitas as toneladas de suprimentos de socorro que atravessaram o Atlântico. E terminou dizendo: “Lena, por favor, envie a minha mensagem de gratidão a este país. Estou muito feliz em saber que as caixinhas deram certo através de um pequeno gesto de amor e solidariedade.“ E eu lhe disse: “São os laços invisíveis”. 

Senhor Tilman ♥

Quando ouvi  falar pela primeira vez da Fraternidade sem Fronteiras me perguntei qual seria o  milagre que movia este movimento, de onde vinha esta força grandiosa que impulsionava este trabalho. Eu e meu marido começamos a ajudar a FSF fazendo traduções para o alemão de vídeos, depoimentos de voluntários e textos que seriam usados para o site da instituição aqui na Alemanha. E a cada tradução, eu terminava sempre  chorando. Mesmo trabalhando como voluntária, continuava me perguntando:
Como o Wagner tinha conseguido fazer este milagre?
Quais as montanhas que tinham sido movidas para que esse milagre se realizasse?
Como se conseguia o dinheiro?
Quantas pessoas estavam envolvidas e ajudando?
Quantas e quais dificuldades estavam sendo superadas?
Quantas dificuldades ainda estavam por vir?

Foram muitos os questionamentos que surgiam dentro de mim…
Foi quando recebi de presente da minha amiga Verinha o livro UBUNTU, escrito pelo Wellerson Santos, no qual é narrado a história da Fraternidade. Ao terminar de ler o livro, me ficou muito claro que o personagem central era o Amor.

Era ele que fazia o milagre. O Amor era a moeda, o intercâmbio de Deus. E foi o Amor que me uniu a este movimento. O amor é um enigma invisível, mas ele pode se tornar visível através de todos, de mim, de você, através de cada um. Entendi profundamente a proposta do Wagner quando ele falou em um vídeo sobre a Fraternidade Universal. Ela só pode acontecer dentro da comunidade dos “juntos”. 

Um grande abraço.
E muito AMOR.”

Lena Stehlik

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